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13.08.19

a noite deita-se sobre o topo dos telhados, violeta, azul, laranja onde despontam os candeeiros de rua. daniel não se lembra da cor dos olhos dela, perpetuamente embaçados pelo cinza do fumo.

verónica apaga o cigarro no chão da varanda, distraída, a dois centímetros de errar caminho e apagar na perna. 

— estás feliz, ao menos?

não tem resposta para lhe dar; acende outro. a questão não é infelicidade, tanto quanto é aquela lacuna persistente no meio da felicidade — falta algo, verónica não sabe dizer o quê. talvez seja mania pessoal, uma insistência em procurar erros num padrão perfeitamente composto. há alexandre como sempre haveria alexandre, e o trabalho, o apartamento, a garrafa de vinho da folga. falta algo.

— e tu?

daniel quase esqueceu que está acompanhado. vira o rosto em sobressalto.

— sim.

— pensaste demais.

ele ri, encosta a cabeça à parede. tem vezes em que a gravata aperta tanto o pescoço que ele se sente uma versão suicida do pai, outras em que se pergunta se é parecido com o sufoco de realmente bater a bota — devia ter perguntado a miguel.

— fazer o quê?

o ponto é esse: fazer o quê? pegar na mochila e ir embora como mara fez, talvez. correr o mundo inteiro à procura da merda da resposta para o vazio que não sai. porém, nem ela e, muito menos, daniel são o tipo de pessoa que faz isso. sempre foram os dois o tipo falso de pessoa rebelde que não se atreve a lidar com tempestades reais e se fica pelos charcos à beira do passeio. no final, mara era a única corajosa no grupo inteiro.

— bebe mais, daniel. depois passa. tem dias em que a gente nem repara, não é?

daniel fecha os olhos. não há um único dia em que ele não repare.

— tens razão. 

 

porta aberta

15.12.17

é aquilo que é. depois de me debater com a ideia por muito tempo – e talvez já venha tarde –, resolvo voltar. não ao início, pois não seria possível e eu não teria aprendido tudo o que entretanto aprendi.

ainda assim, bem-vindos de novo, se houver alguém desse lado. ou somente bem-vindos, se forem visitantes de primeira leva. para quem já andava por cá antes: deixa um olá, eu vou gostar. a verdade é que não faço ideia de como as coisas estão hoje em dia, mas tentar não custa.

 

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de novo,

30.03.17

De novo nos encontramos. O que tenho a dizer é agora quase dito apenas ao vento, porque o auditório esvaziou inteiro e só sobrei eu, encolhida atrás das cortinas do palco — a culpa foi minha de ter adormecido. Não é persistência, não, foi esquecimento de fechar o teatro e voltar para casa.

Mas, ah, não deve fazer mal ficar mais um pouco...




“you must know life to see decay. but I won’t rot, I won’t rot. not this mind and not this heart, i won’t rot.”

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